terça-feira, 24 de novembro de 2009

SUGESTÕES DE ATIVIDADES DO FILME ASSUNTO DE MENINAS


UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE EDUCAÇÃO/NIPAM/DHP/ DFE
Grupo de Pesquisa Currículo Transversal

Coordenação: Maria Eulina Pessoa de Carvalho e Fernando Cézar Bezerra de Andrade

Projeto PROLICEN “EM CENA: EDUCAR PARA UMA CONSCIÊNCIA DE GÊNERO INCLUSIVA”


SUGESTÃO DE ATIVIDADE I

Objetivos:


· Conhecer os estereótipos construídos social e culturalmente e suas influências em nossas percepções e reações acerca de alguém ou alguma situação;
· Discutir os papéis de gênero impostos socialmente;

Materiais:

Caixa de papel;
Papéis em formato de fichas, contendo atividades exercidas por homens e mulheres;
Lápis colorido;

Procedimentos:

Convidar os alunos e as alunas a formarem um círculo;
Dividir a turma em dupla e pedir que cada grupo retire de dentro da caixa, exposta no centro do círculo, uma atividade cotidiana exercida por homens e mulheres;
Solicitar a leitura da ficha sorteada por cada dupla e pedir que relatem quem normalmente exerce a atividade;
Caso as respostas reproduzam opiniões estereotipadas, levantar questionamentos que fomentem ao grupo ocasiões de diálogos a respeito de atributos aceitos e valorizados socialmente;
Levar cada grupo a perceber que os papéis considerados femininos e masculinos são aprendidos social e culturalmente;


SUGESTÃO DE ATIVIDADE II

Objetivos:

· Promover uma discussão acerca da adoção de uma criança por parte de um casal de lésbico;
· Discutir o preconceito e os estereótipos de família enquanto grupo social;

Procedimentos:

Dividir a turma em grupos, estabelecendo através de sorteio uma equipe que irá argumentar a favor, outra que será contra a adoção da criança pelo casal e, por fim, uma cujos componentes assumirão as funções de jurados e juradas, decidindo o resultado final;
Simular um julgamento em que as partes apresentarão seus argumentos;
Convidar os participantes das equipes a decidirem o final da história;
Levantar questionamentos que fomentem ao grupo ocasiões de diálogo a respeito de atributos aceitos e valorizados socialmente, bem como os estereótipos de família na sociedade.
Por fim, discutir a decisão dos jurados e seus possíveis efeitos sobre a turma toda.

Referências:


CARVALHO, Maria Eulina Pessoa; ANDRADE, Fernando Cézar Bezerra; MENEZES, Cristiane Souza. (Orgs). Equidade de Gênero e Diversidade Sexual na Escola: Por uma prática pedagógica inclusiva. João Pessoa-PB: Ed. Universitária / UFPB, 2009.

HYPERLINK http: //www proex.reitoria.unesp.br/congressos/Congressos/1__Congresso/Cidadania_e_Direitos_Humanos/Trabalho14.htm . Acesso em 11/11/09.

domingo, 8 de novembro de 2009

Vídeos sobre preconceito na escola

Sexta Sessão de Cinema para Discussão da Temática sobre Relações de Gênero na Escola

Convidamos a todos para participarem da nossa 6ª Sessão de Cinema que será realizada dia 27/11/2009, das 14h às 17h na LATED, localizada no Centro de Educação na UFPB.
O filme a ser exibido será "Assunto de Meninas", o mesmo servirá de subsídio para nossas discussões sobre a temática de Gênero e Diversidade Sexual na Escola.


ASSUNTO DE MENINAS


Sinopse do Filme

Três adolescentes - Tori (Jessica Paré), Paulie (Piper Perabo) e Mouse (Mischa Barton) - vivem seu primeiro amor, descobrem a atração sexual e buscam desesperadamente por suas identidades. Mouse Bradford acabou de chegar ao Perkins Girls College, depois de deixar os pais e a madrastra na pequena cidade onde passou sua vida inteira. Mas a adaptação na nova escola não é tão difícil quanto imaginava porque rapidamente ela é "adotada" por suas colegas de quarto: a esperta Paulie e a bela Tory. Em comum, as três carregam algumas tragédias pessoais. Mouse perdeu a mãe, Paulie perdeu os pais quando foi entregue à adoção e Tory está perdendo a si mesma para poder atender às expectativas dos pais. O trio se torna inseparável e faz promessas de manter a amizade para sempre. No entanto, essa tarefa pode se tornar um pouco mais difícil, quando o desejo começa a despertar entre elas.

Ficha Técnica

Diretor: Léa Pool
Elenco: Piper Perabo, Jessica Paré, Mischa Barton, Jackie Burroughs, Mimi Kuzyk, Graham Greene, Emily VanCamp, Amy Stewart, Caroline Dhavernas, Luke Kirby, Alan Fawcett.
Produção: Greg Dummett, Lorraine Richard, Louis-Philippe Rochon
Roteiro: Judith Thompson, baseado em livro de Susan Swan
Fotografia: Pierre Gill
Trilha Sonora: Yves Chamberland
Duração: 102 min.
Ano: 2001
País: Canadá
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Home Entertainment


Referências:


ASSUNTO DE MENINAS. Disponível em: <http://cinema.cineclick.uol.com.br/filmes/ficha/nomefilme/assunto-de-meninas/id/10994>. Acesso em: 08 de novembro de 2009.

Trailer do Filme Assunto de Meninas

Assunto de Meninas - Without You - Mariah Carey (Tradução)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

RESENHA MILK - A VOZ DA IGUALDADE

Projeto em Cena: Educar para uma Consciência de Gênero Inclusiva

Ana Paula dos Santos Silva
Universidade Federal da Paraíba
paulinha.ufpb@hotmail.com

Resenha do filme: Milk

Baseado na história real de Harvey Milk, o filme é dirigido por Gus Van Sant, que produziu uma obra didática e documental sobre o primeiro político abertamente homossexual da história dos Estados Unidos, eleito em 1977 para o quadro de Supervisor da Cidade de São Francisco.
No início do filme, uma cena chama a atenção: a paquera em uma estação do metrô entre Harvey e um jovem (Scott Smith) com jeito de hippie (descuidado na aparência). O clima leve e "caliente" aponta para a seriedade dos temas a serem abordados. Apesar de seu emprego bem remunerado, Harvey resolve mudar-se para San Francisco e seu parceiro Scott Smith (James Franco) vai junto. Lá, num bairro operário do distrito de Castro, Harvey abre uma pequena loja de revelação fotográfica. Torna-se um ativista gay, porque além de assumir publicamente sua homossexualidade, também organiza os residentes gays da vizinhança, buscando aliados em diversos grupos sociais; e, assim envereda pelos caminhos da política. Essa atitude gera protestos exagerados dos homofóbicos que viviam na época.

Ao começar um discurso, Milk se dirigia à multidão dizendo: “Meu nome é Harvey Milk e eu quero recrutá-lo!”, mas outras frases do personagem merecem ser descritas: "Todos os homens foram criados iguais", ou "Sem esperança não vale a pena viver".

O ator Sean Penn consegue a incrível façanha de dar vida ao personagem com uma intensidade emocional fascinante. No filme, o ator consegue convencer o espectador que o político gay era generoso, amigo, perseverante e apaixonado. Porém, a incansável dedicação à política afasta o personagem de seus relacionamentos, tanto com Scott, quanto com Jack Lira (Diego Luna). Sua carreira política foi curta mas, enquanto durou, foi um importante marco contra a discriminação, a favor das minorias e do direito de externar ideais através do voto, essa parcela de poder inerente a cada cidadão.

Eleito aos quarenta e sete anos, Harvey Milk marcou a história como o primeiro gay ativista que conseguiu exercer um cargo no serviço público americano. Infelizmente, ele foi assassinado (um ano depois) supostamente por Dan White, e os motivos para o crime são apenas sugeridos, motivos banais e enigmáticos. Mais que instrutivo, o filme fala de ambição, coragem e, sobretudo de um herói que se transforma em mártir, que lutou com paixão por aquilo em que acreditava e que usou as armas que tinha ao seu dispor, sendo a primeira delas a decisão de lutar por direitos iguais para os homossexuais em prol de um objetivo maior, o de mudar vidas.

A homossexualidade atualmente ainda incomoda muitas pessoas. A luta dessa classe pelo seu reconhecimento diante da sociedade é constante e seus direitos estão aos poucos se tornando uma realidade. Em 1990 a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que a homossexualidade não é uma doença, distúrbio ou perversão, trata-se de uma orientação sexual descoberta pelo próprio indivíduo (CARVALHO, ANDRADE, MENEZES, 2009). Diante disso, o que explica o tratamento preconceituoso e desigual que pessoas homossexuais vêm recebendo na nossa sociedade?

Apesar da luta de direitos cunhada por essa classe, ainda existem países que consideram a homossexualidade um crime, a exemplo da Arábia Saudita e do Afeganistão. Nesses países os homossexuais podem ser condenados à morte.

Diante dessa triste realidade, o filme de Milk é assim, um convite para uma profunda reflexão sobre preconceitos, valores, ética e diretos iguais para todos, sobretudo para os homossexuais.

Propostas didáticas para o filme Milk - A Voz da Igualdade

Propostas didáticas para o filme


1) Assistir ao filme Milk com a turma e em seguida pedir que os alunos ilustrem por meio de desenho uma cena do vídeo que mais chamou atenção para cada um; ou desenhar qualquer outra figura que represente algo ou alguém que esteja relacionado ao filme. Logo após, socialize com a turma todos esses desenhos de forma que cada um explique o que abordou no seu desenho e por quê. Essa atividade visa levar os alunos a refletir sobre os principais temas abordados no vídeo: homossexualidade, homofobia e luta por direitos iguais.

2) Discutir com os alunos a questão apontada no filme sobre a suposta influência dos professores homossexuais em relação aos alunos, defendida pelo político Sr. Briggs. No debate com esse político Milk o pergunta:

“- Eu nasci de pais heterossexuais. Fui ensinado por professores heterossexuais. E numa sociedade intensamente heterossexual. Então por que sou homossexual?”
Refletir com os alunos essa fala de Milk, deixando claro que a homossexualidade ou qualquer outra orientação sexual não é ensinada e sim descoberta pelo próprio indivíduo.

3) Diante da ameaça de demissão de professores gays, Milk e outros ativistas conclamam todos os profissionais gays a "saírem do armário" e colocarem a sua privacidade nas ruas para reivindicar direitos plenos aos homossexuais.



3.1 Na sua concepção o que significa para os homossexuais “Sair do Armário”?


3.2 Apresentar e discutir com os alunos os direitos até então conquistados pelos homossexuais, tais como: o direito ao casamento em alguns países e o direito de concessão de benefícios pelo INSS aos casais homossexuais.


4)
A partir do conceito de homofobia apresentado no cartaz acima, que situações homofóbicas foram apresentadas no filme? A morte de Milk foi um ato de homofóbico? Você já presenciou alguma situação desse tipo em algum ambiente?

5) Encerrar a aula com o texto reflexivo abaixo.


SÓ POR AMAR DIFERENTE




Puxa, você tem nojo de ver dois homens se beijando?

Eu tenho nojo de ver gente batendo em gente
de ver gente enganando gente
de ver gente matando gente
de ver gente passando fome
disso eu tenho nojo!
Mas você pode dizer o que pensa da homossexualidade das pessoas...
É saudável falar o que pensa
(desde que não desrespeite ninguém!)
E já que você está tão aberto a discutir esse assunto - o que é louvável de sua
parte, eu te proponho que você tire um pouco o "casaco da moralidade"...

E sem idéias prontas imagine como seria se você fosse gay.
Não tenha medo.
Imagine você se descobrindo ser uma pessoa que não queria
(e lembre-se que o mundo não está preparado pra gente diferente!)

Tente se imaginar sentindo amor por outro ser humano
(que infelizmente não é o ser humano que sua mãe sonhara),
imagine a dor de ver que você vai ter ao escolher entre a sua felicidade ou a de
seus pais...

Ou então viver escondido e com medo levando uma vida frustrada.
Aí você um dia é descoberto e é humilhado, negado e escurraçado.
Você está sozinho no mundo e não entende por que tem de ser assim.

Será que amar é algo tão errado?
Será que você é tão ruim assim?
Quando você abraça seu amigo todo mundo acha fofo,
mas se você beija seu amigo você é uma aberração?

Aí começa o preconceito.
Você é alvo de piadas e fofocas...
De repente você pensa ser um ser humano inferior só por amar diferente!

Pense nisso e tente se imaginar nessa situação, cara!
Você vai ver que ninguém merece o seu "nojo"...
Vai sentir falta de dignidade e boa vontade.
Pense nisso!
Vai ser no mínimo interessante.
Fale o que pensa, mas pense antes de disseminar
apenas o que você ouviu a vida toda da boca dos outros.

Pense!


Autora: Luciana Gusmão




Vídeo acessar: http://www.youtube.com/watch?v=xmkgPFOZCNg

Referência:

CARVALHO, Maria Eulina Pessoa de; ANDRADE, Fernando Cézar Bezerra de; JUNQUEIRA, Rogério Diniz. Equidade de Gênero e Diversidade Sexual na escola: por uma prática pedagógica inclusiva. João Pessoa: Editora Universitária, 2009.


Indicação bibliográfica

BORGES, Zulmira Newlands; MEYER, Dagmar Estermann . Limites e possibilidades de uma ação educativa na redução da vulnerabilidade à violência e à homofobia.In Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 16, n. 58, p. 59-76, jan./mar. 2008.

HENRIQUES, Ricardo et al (orgs). Gênero e Diversidade Sexual na Escola: reconhecer diferenças e superar preconceitos. Brasília: MEC, Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2007.

MOTT, Luiz. O jovem homossexual: noções básicas de direitos humanos para professores, professoras e para adolescentes gays, lésbicas e transgêneros. IN Revista do Mestrado em Educação, UFS, v. 7, p. 95-102, Jul./Dez. 2003.

SOUSA, Valquíria Alencar de; CARVALHO, Eulina Pessoa. Por uma educação escolar não-sexista. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 2003.